Bom, pra falar do que os pacientes temem tive que conversar com alguns deles e também com alguns profissionais! Durante a faculdade tive uma disciplina chamada Odontologia do Trabalho, onde aprendemos desde marketing até os diferentes tipos de comportamento dos pacientes no consultório!
Basicamente após conversar com pacientes de várias idades e após concluir essa disciplina cheguei à uma conclusão:
Os pacientes com mais idade têm muito medo de ir ao dentista, muito embora eles reconheçam que seja necessário e agora vão sem reclamar, pois dizem: "Se tivesse cuidado dos meus dentes desde criança hoje eu os teria em minha boca". Pois é! a grande maioria dos pacientes acima de 60 anos usam prótese total. Logo, a atenção deve ser voltada para a manutenção dos tecidos bucais e da prótese. Devemos atentar também para a presença de lesões nos tecidos que podem indicar a presença de um carcinoma. Pude perceber que a grande maioria das pessoas que utilizam prótese não realizam de forma adequada a higiene bucal e a higiene da prótese. Mas isso é um assunto pra outra ocasião! Esses pacientes reclamam de uma odontologia que conheceram em sua juventude com anestésicos ineficazes e voltada à remoção da dor, ou seja, a extração!
Os pacientes mais jovens temem ir ao dentista por causa das experiências transmitidas por seus avós e pais. normalmente eles chegam ao consultório bastante apreensivos e com muitas interrogações: será que vai doer igual doeu com minha vó? será que vou ter que perder um dente igual ao meu pai?
Bom, o que precisamos em primeiro lugar é ter paciência!!! E mostrar na prática a esses pacientes que a odontologia não é mais a mesma, apesar de ser bastante incômoda. Bom, a prevenção agora é o foco da odontologia, mas até durante a anamnese onde você conversa com o paciente e faz as instruções de higiene, ele fica tão tenso que nem houve você direito. Nessa hora é preciso ter jogo de cintura e fazer com que o paciente se sinta relaxado pra perceber que você, o profissional cirurgião-dentista, não é um bicho de sete cabeças!!!
A mídia nos fez o favor de exibir a nossa profissão como um intrumento de tortura! As crianças que assistem NEMO morrem de medo de dentista, isso segundo uma ex-professora minha. Segundo ela, algumas crianças disseram que não gostavam de dentista porque "o dentista do NEMO era mau". Desenhos e filmes que achamos inofensivos transmitem imagens muito ruins a nosso respeito, principalmente para a mente das crianças. O odontopediatra também precisa utilizar recursos que mudem a opnião das crianças, sem pressioná-las e isso pode ser feito através do diálogo.
O diálogo constitui um importante instrumento que devemos utilizar para criar um vínculo de confiança com o nosso paciente. Se houver plena confiança por parte do paciente, mesmo que ele sinta um desconforto, uma "dorzinha" durante um procedimento ele entenderá que você não fez por mal como alguns pacientes costumam pensar. Outro ponto importante é ser sincero com o paciente, dizer a ele as etapas do procedimento e se houver a possibilidade dele vir a sentir dor comunique-o! Ele vai estar preparado! É melhor do que mentir e dizer que não vai doer nada! Isso poderá fazer com que ele perca a confiança em você e ainda fará você perder outros clientes! Lembre-se cliente satisfeito é uma fonte segura de marketing melhor que qualquer propaganda no rádio ou na TV!
Li um artigo interessante sobre o tipo de paciente "Lady Kate", aquele que reclama de tudo e é exigente pra caramba, pois afinal ele "tá pagano"!
O diálogo também tende a funcionar com esses pacientes, uma vez que se sentirem acolhidos por você e não só meras cobaias humanas! Em corcordância com o autor do artigo, penso que esses pacientes colocam o fato de estarem pagando como um mecanismo de defesa! Eles acham que estão protegidos pelo dinheiro que estão investindo no tratamento. Na verdade, eles não sabem nada de odontologia e só querem garantir que sairão do consultório com uma saúde bucal e uma estética melhor do que quando entraram. Temos que compreendê-los, tranquilizá-los, informá-los e tirar suas dúvidas! E não há forma melhor de fazer isso do que através de um bom diálogo!!!
Podemos dizer que os pacientes apresentam mais ansiedade do que medo! Isso porque a maioria dos pacientes que dizem ter medo de dentista, nunca nem sequer passaram por algum tipo de procedimento, então o medo que sentem é subjetivo, foi passado através de experiências "aumentadas" de parentes e amigos. Os pacientes que já passaram por algum procedimento doloroso como tratamento endodôntido (de canal), temem sentir o mesmo desconforto! É preciso explicar que nem todo procedimento é igual e que nem sempre ele sentirá dor tratando um canal. O que os pacientes querem na verdade é que você o enxergue como um ser completo e não só como uma boca isolada, entende? Alguns dentistas nem olham nos olhos do paciente, nem perguntam como ele está ou mesmo nem fazem a pergunta mais óbvia:"o que o trouxe aqui?" Isso faz o paciente se sentir mais ansioso ainda, pois está sozinho numa sala, com a boca aberta e tem um pessoa explorando a sua boca e o pior muda! A única coisa que o paciente consegue ver são as sobrancelhas do dentista se apertando como se ele estivesse dizendo pra si: "nossa que coisa horrível!"
Durante o exame explique ao paciente o que está fazendo e como está a saúde bucal dele, com isso ele não prestará atenção nas suas sobrancelhas!
Receba seu paciente com um sorriso, um aperto de mão, pergunte como ele está, o que ele sentiu que o levou ao consultório e pergunte como pode ajudar! Isso já tranquilizará um pouco seu paciente e dará margem pra que ele comece a confiar em você!
Mantenha uma boa comunicação com seu paciente mas também não permita que ele faça você de psicólogo, seja educado sempre, mas saiba quando começar e quando terminar a conversa! extraia o maior número de informações importantes no menor tempo possível, lembrando sempre que seu paciente tem uma boca que está integrada a um corpo e que doenças sistêmicas afetam a saúde bucal e vice-versa!
Fonte do artigo:
http://www.odontosites.com.br/odonto/default2.asp?s=artigos2.asp&id=158&titulo=O_paciente_“Lady_Kate”_
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